Quinta-feira, Junho 09, 2011


Recordando esta zona oeste da cidade nessa década maravilhosa dos '80, na freguesia de São Martinho. Podemos ver o antigo Hotel Villa Ramos e as imensas bananeiras em volta. A calma e o silêncio que era.

(nota: Esta fotografia foi digitalizada do livro: "Ilha da Madeira - exaltação da Natureza" de Guido Monterey; a autoria da fotografia é da Direcção Regional de Turismo)

Quarta-feira, Março 17, 2010

Praktica LTL


Nutro um carinho especial por esta máquina SLR de 35 mm, pois pertenceu ao meu avô Jaime Sebastião Spínola. Desconheço onde é que ele a adquiriu, no entanto esta câmera foi fabricada na antiga República Democrática Alemã pela Pentacon, em Dresden para ser mais preciso. A produção deste modelo foi de 1970 a 1975.
Das primeiras vezes que usei esta máquina foi já no longíquo ano de 2000, para um trabalho de fotojornalismo, nos meus tempos de estudante universitário. Para um determinado projecto, decidi efectuar uma reportagem sobre a rotina de um sacristão da Igreja de São João de Deus, na Praça de Londres.
A máquina tem um estilo típico de 70's (o que é muito cool), é toda mecânica, não possui nenhuma função automática. O fotómetro é exibido (após pressionar uma patilha) através de um ponteiro que sobe ou desce conforme a sobre-exposição ou subexposição, que na altura fazia-me confusão.
O botão de disparo é pefurado , no caso de se querer usar um cabo disparador. Só os sons do avançar do rolo, assim como do disparo são um deleite sonoro !
A velocidade do obturador atinge os 1000 avos de segundo assim como tem a função Bulb (tempo determinado por nós mesmos).
A Objectiva que proveio, é Carl Zeiss , a distância focal é de 50mm e a máxima abertura é de 2.8.
Não sendo uma máquina muito antiga, nem muito cara, nem por sinal das mais originais. No entanto, para mim é especial por várias razões além de ter sido a primeira Reflex que eu verdadeiramente usei. Na altura, parecia-me complicado, hoje parece-me uma câmera muito simples.

Quarta-feira, Setembro 16, 2009

Terça-feira, Janeiro 13, 2009

J.F. Eckersberg


Muito se tem falado sobre Max Romer, o artista alemão que teve prolifera produção por esta terra afortunada, contudo ; hoje proponho falar de um grande artista norueguês que viveu durante 2 anos na Madeira, entre 1852 e 1854 mais objectivamente.
Johan Frederick Eckersberg nasceu em Drammen a 16 Junho de 1822 e faleceu a 13 Julho de 1870 em Sandvika (sul da Noruega). Aquando uma estada profissional na Holanda (1838-41) , começou a interessar-se por arte holandesa antiga e aprendeu a copiar pinturas. Quando volta para Oslo, torna-se aluno na Tegneskolen e aprende a pintar paisagens. Posteriormente inscreveu-se na Academia de Dusseldorf sempre especializando-se em paisagem.
Terminado o seu período de aprendizagem, funda uma escola de pintura na então designada Christiania. A capital deste país, aliás passou por três nomes na sua história, primeiro como Christiania, depois Kristiania e finalmente Oslo.
Eckersberg foi mestre de Otto Ludvig Sinding, que por sua vez foi professor do nosso conhecido Max Romer em Paris.
Sabe-se muito pouco sobre a estada de J.F.Eckersberg na Madeira. Veio para cá com 30 anos e pintou uma série de paisagens madeirenses que compõem um álbum impresso pela Casa Just Autry & Ca. de Dusseldorf. Existem pelo menos nesse álbum, imagens da Penha d'Águia, Funchal, Rabaçal, São Vicente, São Jorge e Boaventura.
Em 1852 pinta esse belo quadro acima, relativo ao Cabo Girão. A entrada de Câmara de Lobos em todo o seu esplendor de tons vivos.A imponência do Cabo Girão é notória (que com certeza lhe trazia recordações dos penhascos noruegueses). Repare-se que o autor não se quis limitar à imagem "panorâmica" e inclui dois vindimadores e uma senhora trabalhadora. A vertente etnográfica está presente.
Este quadro é pois certamente, uma obra de grande importância, primeiro porque é um documento visual daquela época, e em segundo porque é a nossa terra vista por um forasteiro. Lamento só, que Eckersberg não tivesse permanecido mais tempo na Madeira, pois o enriquecimento do espólio visual da região seria ainda mais notório.
Este quadro pode ser visto "in loco" no Museu Quinta das Cruzes.
Para finalizar, saiba-se que na primavera de 2000 foi vendido um quadro seu intitulado "Fram Romsdalen,1867" (abaixo) por 2,3 milhões de coroas . Esta zona de Sandvika foi largamente pintada por Eckersberg e os seus pupilos.
Existe uma litografia deste quadro no Norsk Folkemuseum (que já tive a felicidade de visitar, embora não me recorde particularmente deste quadro).



Quinta-feira, Maio 29, 2008

Indy 4


Indy está de volta com o chicote e chapéu.E, apetece pegar no chicote e usá-lo em George Lucas, pois ele é que escreveu o argumento conjuntamente com Philip Kaufman, claro que Spielberg tem a sua quota parte nesta decepção...No entanto, acho que a principal falha é sem dúvida do argumento.
Começo a pensar que as sequelas devem ser realizadas em períodos curtos, uns após outros filmes, senão corre-se o risco de acontecer o que aconteceu com esta nova "desventura". Claro que hoje em dia já não é possível fazer um filme à 80's! Viva à melhor década de sempre: anos '80 !
Este Indy 4, não tem a magia, a espontaneidade, e a empatia que sentimos nos anteriores.Parece tudo feito à pressão e metódicamente, com o objectivo de funcionar como "blockbuster" , sem a beleza de um rasgo genuíno de criatividade.Falta a natural essência dos pequenos deliciosos pormenores dos predecessores. Existem muitas ideias copiadas dos anteriores, claro que isso é bom, porque nós queremos rever as "coisas" que fazem do Indy o Indy, mas falta imaginação!
Dou um exemplo: a cena da cobra nas areias movediças, foi nitidamente posta á força, até porque eles são novamente apanhados pelos Soviéticos e chega-se ao caricato de Indy pedir ao Ox: Ajuda...Ajuda?...
O filme começa bem, tal como muitos outros, ficamos logo rendidos à fotografia de Janusz Kaminski ,não é por acaso que Spielberg trabalha sempre com ele, (vejam os seus anteriores trabalhos em "Schindler's list" ou "Munich"). As cenas no armazém, no bar ou na sala de aula são imagens onde o uso da luz é sublime. Toda a recriação dos anos '50 é esplendorosa, e este é para mim um dos grandes trunfos desta longa-metragem.Alguns "gags" no princípio também resultam: achei muita piada à parte em que Laboeuf usa a cola refrigerante do estudante para molhar o seu pente ou quando Indy cai em cima de 2 soviéticos no carro, depois de ter calculado mal o seu salto com o chicote-aqui há o humor da auto-crítica da própria idade.
Adorei as cenas em que Indy está a ser hipnotizado, porque tem uns planos de um grande expressionismo, a "arte" da sombra e sua projecção do perfil de Indy e do seu chapéu na cortina é fantástico.Também, gostei de ver o lado académico e culto de Indy quando fala de arqueologia.
Como não podia deixar de ser, temos cenas de grande implausibilidade mas por 3 vezes...Quando caem das cascatas nada lhes acontece (mais uma ideia copiada do "Templo Perdido")
A banda sonora (sem me querer armar em perito de música) é agradável, mas repetitiva, longe da originalidade do 2º episódio "O Templo Perdido", tenho-a ouvido no computador, e é um "score" delicioso de John Williams.
Os actores estão bem, penso que Ford não faz mais porque o "script" não o permite, Cate Blanchett continua com uma grande aura e "chama" (apesar daquele cabelo, é sempre uma mulher interessante), Laboeuf cumpre o seu papel perfeitamente, Karen Allen está quase na mesma volvidos 27 anos depois de "Os Salteadores da arca perdida", Ray Winstone encarna bem o "inglês rafeiro" e John Hurt mal abre a boca...
Os meus receios confirmaram-se, depois de muitos anos e de muitas expectativas, o filme desilude. E, comecei logo a pressentir algo mal quando li que Lucas pretendeu não usar muitos efeitos especiais, para manter o realismo dos anteriores. Quando dizem isto, é que já abusaram dos CGI!... E, que tal não usarem efeitos? É, que de filme de aventuras passou a filme de fantástico para mim! Até metem "aliens", minha nossa! Sei que Spielberg é obcecado por extra-terrrestres (ET,Encontros Imediatos,Inteligência Artificial,Guerra dos Mundos) mas valha-nos paciência, extra-terrestres no Indy?!...
O filme acaba de forma, a jogar com as nossas expectativas para futuras sequelas, o chapéu voa até Mutt (ficamos logo com a ideia que ele continuará) mas de pronto Indy pega no seu chapéu , e ficamos na dúvida...
A verdade verdadinha é que Lucas desilude outra vez depois da 2ª trilogia da "Guerra das Estrelas", com os mesmos erros, excesso de digitalismos e perda da "magia"...
O filme não é mau, e dou-lhe 3 estrelas, pois há bons aspectos, mas ficamos sempre com a sensação que as pipocas podiam ter sabido mais...
E, isto é triste, porque assim "morre" uma "franchise" que foi das mais giras , e a melhor em termos de filmes de aventuras.Conhecem melhor filme de aventuras que Indiana Jones? Eu não...
Mas tenho cá um "feeling" que Batman será um excelente "blockbuster" para Julho...

Segunda-feira, Fevereiro 18, 2008

ARTE FOTOGRÁFICA PURA


Quero partilhar com os prezados visitantes a este blog, provavelmente "a fotografia" que eu mais gosto de sempre!
Intitula-se "Dali Atomicus" e foi realizada pelo letão Phillippe Halsman em 1948.
Recordo-me que da primeira vez que a vislumbrei, então na aula de Fotojornalismo na Universidade Autónoma de Lisboa, fiquei completamente siderado! Era "Arte pura" em registo fotográfico! Fiquei boquiaberto e de olhos arrelagados.

É Obviamente uma fotografia com uma grande carga de encenação, onde os adereços contribuem muito para o enriquecimento da imagem. Mas eu tanto gosto de fotografias simples como das muito produzidas.
A expressão "louca" de Dali, o rasto de água (visualmente irresistível), os gatos voando, a cadeira em suspensão assim como o cavalete, e todo o ambiente artístico de atelier perfazem uma foto verdadeiramente fabulosa plena de beleza e com conteúdo!
Parece que entramos na mente surrealista de Dali neste momento, e para sempre...
Hoje é possível fazer isto tudo em programas de edição de imagem, mas não requer a criatividade, dificuldade, paciência e originalidade que teve então.
É também um documento da época e dos intervenientes, que traduz perfeitamente os estilos e personalidades destes 2 grandes artistas (por um lado o "surreal" de Dali e por outro o conceito de "Jumpology" que Halsman desenvolveu).
Para mim é a fotografia que exterioriza melhor toda a genialidade e fantasia de um dos homens mais admiráveis e peculiares que a humanidade conheceu.
Se ainda alguém tiver a estúpida ousadia de dizer que fotografia não (poder) ser Arte, esta é a melhor resposta a esses fotocépticos.

Conta-se que à contagem de "três!" os assistentes de Halsmann lançaram os 3 gatos e um balde de água e aos "quatro!" Dali saltou , enquanto a mulher de Halsmann segurou na cadeira do lado esquerdo, estando os cavaletes suspensos por cordéis.
Foram precisas 26 tentativas e 5 horas para alcançar o resultado que Halsmann pretendia.
A fotografia teve o título de "Dali Atomicus" por causa do quadro de Dali: "Leda Atomica", o quadro aparece do lado direito da imagem.
Estávamos nos anos 40, na era atómica, e o quadro e a fotografia reflectem a ideia que tudo devia estar em suspensão, como o átomo.
A fotografia foi publicada com honras de destaque de 2 páginas na revista Life.
Dali e Halsman colaboraram artisticamente mais de 40 anos, incluindo 32 fotografias para o livro "Dali's moustache".

A título de curiosidade, em baixo, podemos ver "Leda Atómica" de Dali (Gala, mulher de Dali como modelo).

Quarta-feira, Novembro 28, 2007

hà 70 anos a primeira vitória contra o vizinho

Hoje venho falar-vos de da 1ª vitória lusa contra "nuestros hermanos" na história da nossa selecção.Precisamente hà 70 anos!
E tem na realidade contornos curiosos. Portugal então treinado por Cândido de Oliveira disputou o jogo com 13 jogadores naquele que foi o 13º encontro entre Portugal e Espanha.

O jogo foi em Vigo, na Galiza, a 28 de Novembro de 1937.Portugal alinhou com João Azevedo; José Simões,Gustavo Teixeira; Mariano Amaro, Francisco Albino, Carlos Pereira; Adolfo Mourão, Artur Quaresma, Manuel Soeiro, PINGA e Alferdo Valadas, assim como Gaspar Pinto e Guilherme Espírito Santo.
No dia seguinte no jornal "Pueblo Galego",o jornalista galego escreveu: "...o triunfo alcançado por Portugal, muito justo e muito justo porque sobre o terreno de jogo se mostraram superiores em tudo: em forma, em classe e sobretudo em entendimento entre as diversas linhas da equipa."
Pinga fez o 1-0 (claro), Valadas o 2-0 e Gallart marcou o tento espanhol.
Depois do jogo, Cândido de Oliveira terá mostrado aos seus jogadores um pequeno chifre de marfim que o jogador Mourão encontrou escondido, atrás duma das balizas.Houve quem pensasse que teria sido feitiçaria para quebrar o "enguiço" (de não vencer aos espanhóis) que perdurava hà 16 anos !

O que é certo é que a alegria foi imensa, que parecia que Portugal tinha vencido um Mundial ! Rezam as crónicas, que quando o seleccionado passou por Espinho na sua viagem de comboio, houve fogo-de-artíficio!
Reparem agora no belo equipamento que a selecção ostentava naquela altura, com as cores verdadeiramente nacionais (azul e branco).Com as quinas a meio da camisa.
Por último, de referir que o penúltimo da direita para a esquerda em pé ao lado do senhor de boné, não é senão o grande madeirense e portista Artur de Sousa Pinga!