quinta-feira, março 23, 2006

Match point


Woody Allen volta pela enésima vez, e ao contrário do que se tem dito por aí, não considero um filme fabuloso, nem dos melhores dos que ele fez.
Desta vez rodando em Londres (deixando NY!) com o apoio da BBC, Allen mostra-nos variadas partes de Londres e isso é um dos pontos a favor do filme.Sem ser no entanto, algo espectacularmente visual antes pelo contrário, não é um filme criativo a nível de imagem.
Mas como isso não é o que costuma marcar os filmes de Allen, adiante! E, então os famosos diálogos de Allen? Longe vão os tempos de "Annie Hall"! "MatchPoint", que eu me recorde só tem 1 ou 2 piadas intelectuais à "la" Allen!
O melhor do filme, é mesmo o conceito de sorte que o protagonista principal aqui representado por Jonathan Rhys-Meyers (que parece por vezes Joaquin Phoenix), explica com a teoria da bola de ténis que bate na rede, tanto pode cair para um lado como para outro, ditando a derrota ou a vitória.Essa metáfora, é o princípio e o fim do filme.E o fim, acaba de maneira humorística pegando nessa teoria, mas não é o suficiente para chegarmos ao ponto de dizer que todo o filme é obra-prima!
E, pelos vistos a bola cai sempre para o lado da vitória do protagonista, que conhece as pessoas certas no lugar certo no momento certo.Mas a verdade é que este Chris Wilton, é um escroque arrivista vindo da Irlanda sedento de subir a todo o custo na elitista sociedade londrina.
A duração do filme é longa acompanhada por uma ópera melancólica com "riscos de vinil", mas até vê-se bem, as representações são boas, como a Scarlett Johansson! :)
Destaco a representação de Brian Cox, no papel sogro do anti-herói do filme, assumindo o papel de patriarca, rico, britânico da alta-sociedade londrina, com um distinto "royal accent"! E de Emily Mortimer no papel de mulher "encornada", bondosa, feliz e ingénua.
Finalizando, Woody Allen arrisca mudando, mas fico com a sensação que a mudança podia ser melhor ou pelo menos eu esperava...

3 comentários:

Giraluas disse...

Concordo contigo, não achei nenhuma obra prima. O tipo está encantado com a Scarlet (o filme tem a única cena explicitamente "quente" de toda a longa cinematografia do W.A .!!!). Apesar disso, o tema é interessante (o Crime e Castigo anda por ali...), o favto de ser em Londres e com actores ingleses ajuda, é uma lufada de ar fresco e sim, o Brian Cox dá uma lição. Agora... isto de pôr um arrivista irlandes, vindo do desporto, a falar com o mais perfeito dos sotaques de Oxford... não lebra ao diabo...

Woman Once a Bird disse...

É certo que não é um filme tipicamente Woody Allen. Mas não deixa de estar marcado pela sua genialidade, pelo facto de tudo nos escapar ao controle... Sinceramente, muito embora tenha achado a primeira parte banal, achei a segunda metade surpreendente.

Anónimo disse...

Tenho uma opinião contrária à tua. Acho um filme muito bom. De 4 estrelas e meia. A beleza estética não está na inovação, nos planos esgalhados. Está na simplicidade. Na quase ausência de preocupação com a "imagem". É isso que faz deste filme algo, repetido-os clássicos são quase todos assim, mas diferente. Há uma série de factores positivos que contribuem para este delicioso filme. O argumento, a escolha das personagem e dos respectivos interpetes e a anulação do realizador, para sobressair a "arte". Foi o que senti e senti quando revejo mentalmente este trabalho.

Angelino Câmara